terça-feira, janeiro 02, 2007

Duas vidas que se apagaram no mesmo ano.....há 11 anos

Começo este novo ano com a referência a duas personalidades que julgo terem sido esquecidas (ou pouco lembradas, como lhe quiserem chamar), mesmo tendo feito em 2006, 10 anos sobre as suas mortes. Uma portuguesa. Outra Norte-Americana. Uma amava a madeira dos palcos e as palmas dos públicos. Outro olhava mais alto e chamava o infinito do Universo de amigo.

Falo de Mário Viegas e Carl Sagan. Como a sociedade portuguesa encarregou-se de (quase) os esquecer fica aqui o meu singelo memorial a duas personalidades que se deram por completo às suas profissões e morreram cedo demais. Que Portugal se lembre delas e lhes dê o devido respeito e admiração nos próximos anos, é o que desejo.


Mário Viegas



Actor português, de nome completo António Mário Lopes Pereira Viegas, nasceu a 10 de Novembro de 1948, em Santarém, e morreu a 1 de Abril de 1996. Foi considerado como o maior actor do pós-25 de Abril. Aos 15 anos, já fazia teatro amador. Após ter frequentado a Faculdade de Letras e o Conservatório Nacional em Lisboa, estreou-se no Teatro Experimental de Cascais (TEC). Em 1969 ingressou no Teatro Universitário do Porto e em 1970 regressou ao TEC. Começou a ser conhecido como declamador, tendo gravado diversos discos. Iniciou-se no cinema em 1975 com a curta-metragem O Funeral do Patrão. Foi um dos elementos fundadores do grupo A Barraca, em 1976. Aqui, assinaria um dos papéis mais inesquecíveis da sua carreira teatral: D. João VI (1979), que lhe valeu o prémio de melhor actor no Festival de Teatro de Sitges. Cinematograficamente, foi um dos «actores-fétiche» de José Fonseca e Costa, com quem trabalharia em Kilas, o Mau da Fita (1981), Sem Sombra de Pecado (1983), A Mulher do Próximo (1988) e Os Cornos de Cronos (1991). Trabalhou também sob a orientação de Artur Semedo em O Rei das Berlengas (1978), de Manoel de Oliveira em A Divina Comédia (1991) e de Roberto Faenza em Afirma Pereira (1996). Fez também televisão, apresentando os programas Palavras Ditas (1986) e Palavras Vivas (1990), onde declamou poemas de Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, António Nobre, Cesário Verde e Pablo Neruda. Mas foi no teatro que atingiu os seus maiores momentos: em 1991, fundou a Companhia Teatral do Chiado onde o seu maior sucesso viria a ser Europa Não! Portugal Nunca! (1995). Paralelamente, tentou uma carreira política: nas Legislativas de 1995 integrou as listas da UDP e no mesmo ano anunciou a sua candidatura à Presidência da República, com o slogan «O Sonho ao Poder», obtendo algum feedback entre a classe universitária lisboeta. No entanto, a síndrome da imunodeficiência adquirida, da qual viria a falecer, acabaria por inviabilizar a sua ida às urnas.


Pela sua carreira e méritos artísticos foi várias vezes premiado por diferentes entidades culturais, como, por exemplo, pela Casa da Imprensa, pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro e pela Secretaria de Estado da Cultura. Em 1993 foi agraciado com a Medalha de Mérito da cidade de Santarém e, em 1994, recebeu, pelas mãos do então Presidente da República Portuguesa, Dr. Mário Soares, a comenda da Ordem do Infante D. Henrique.


(Texo retirado de "Mário Viegas. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1")


Carl Sagan



Carl Sagan

Astrónomo norte-americano, Carl Edward Sagan nasceu em Novembro de 1934, no estado norte-americano de Nova Iorque, membro de uma família de origem leste-europeia. Obtendo uma formação científica múltipla (em áreas como a biologia e a genética, e dando realce à astronomia), doutorou-se pela Universidade de Chicago em 1960. Deu aulas em algumas das mais importantes universidades americanas e fez conferências em diversos países. Durante vários anos trabalhou para a NASA, participando em vários projectos de exploração do espaço, como as sondas Mariner, Viking e Voyager. Recebeu vários prémios científicos e publicou inúmeros estudos e relatórios, que o colocaram na vanguarda da investigação astronómica das últimas décadas. Dos seus cerca de vinte livros (alguns dos quais escritos em colaboração) destacam-se The Dragons of Eden (Os Dragões do Éden, 1977), Broca's Brain (O Cérebro de Broca, 1979) e Contact (Contacto, 1985). Na série televisiva Cosmos mostrou-se um extraordinário divulgador das ciências. A série teve um sucesso até hoje inigualado dentro do género. Calcula-se que tenha sido vista por 500 milhões de espectadores em todo o mundo. O livro com o mesmo título, publicado em 1980, atingiu tiragens verdadeiramente excepcionais, tendo sido traduzido para dezenas de línguas. Ao longo da sua vida, Sagan dedicou-se intensamente ao estudo dos fenómenos estelares e planetários, do início da vida e das consequências humanas e ambientais do desenvolvimento tecnológico. Sustentava com convicção a plausibilidade da existência de vida extraterrestre inteligente, e foi essa hipótese uma das suas paixões de investigador. Morreu em Dezembro de 1996, em consequência de uma leucemia.

(Texto retirado de "Carl Sagan. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1")

Um bom 2007 para todos. May your dreams come true.

6 Comments:

At janeiro 04, 2007 12:12 da tarde, Blogger Isabel José António divagou...

Caríssima Pastora de Estrelas,

Muitos parabéns pelo post. As figuras a que faz referência são inesquecíveis, mesmo que os homens delas não se recordem.

Quando vi o D. João VI, pela Barraca ainda ali pertinho do Largo do Rato, ficará sempre com a sua interpretação na memória, bem como a da Maria do Céu Guerra.

Ou ainda a declamação do "Operário em Construção" de Vinícius de Moraes. Isto entre muitas outras representações e declamações.

"...
- Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário

E um grande silêncio se fez! ...!


Cito de cór.

Carl Sagan além dos livros que cita, publicou um último livro que teve de ser concluído pela mulher, com o título "Biliões e Biliões".

A beleza poética da sua escrita, a simplicidade com que explicava coisas complicadíssimas, arrepiavam-me tal a forma como aquilo me tocava.

Muito bem lembrado.

Queria desejar-lhe as maiores felicidades para este ano de 2007. Que o mesmo seja cheio de realizações boas e éticas.

José António

PS:

Conseguimos resolver em cerca de 98% as complicações que o nosso computador apresentou desde o Verão passado. Agora só não conseguimos efectuar espaços entre as linhas dos textos. Mas...

Se quizer honrar-nos com a sua visita e reatarmos este intercâmbio virtual...

 
At janeiro 04, 2007 8:36 da tarde, Blogger Isabel José António divagou...

Querida Amiga,

Bem, sem querer ser repetitiva, só posso congratular-me com a escolha das duas personalidades! O Mário Viegas era um declamador tão extraordinário que declamava não só com a boca, mas com toda a cara, as mãos, enfim, todo o corpo! Toda a sua expressão se transformava e era incrível ver o que conseguia transmitir com alterações de voz, de expressão, abrindo muito os olhos ou sussurando...

Sagan marcou a adolescência de muitos de nós, hoje já um poucos "cotas", com a sua incansável sede de VERDADE e amor da descoberta.

Felicidades neste novo ano.

Que bom estarmos de volta a este Universo tão fraterno e interessante!

Gostei muito de ver-te surgir na nossa habitual casa, mas gostaria também que fosses visitar, se quisésses, a nossa "outra casa", "OBSERVATÓRIO":

http://diarioestetico.blogspot.com/

Um beijinho,

Isabel

 
At janeiro 11, 2007 1:42 da tarde, Blogger gato_escaldado divagou...

O meu aplauso pela homenagem. Excelentes escolhas. Beijos

 
At janeiro 14, 2007 5:28 da tarde, Blogger Cakau divagou...

Bonita homenagem. N caíram no esquecimento :)
Beijinhos *

 
At janeiro 15, 2007 2:08 da tarde, Blogger maresia_mar divagou...

Passei mesmo para deixar um beijo, continuo um pouco afastada dos blogues por motivos de trabalho.

 
At janeiro 17, 2007 10:43 da manhã, Blogger Isabel José António divagou...

Querida Amiga Pastora,

Dada a importância extraordinária que o texto (um pouco longo) possa ter, vou transcrevê-lo de seguida para se poder pensar com outra visão:

"...
Descartes, filósofo do Séc. XVII, considerado o fundador da filosofia, deu expressão a este erro primordial através da sua famosa máxima (que considerava uma verdade fundamental): "Penso, logo existo". Esta foi a resposta que encontrou para a questão: "Há alguma coisa que eu possa saber com uma certeza absoluta?". Ele entendeu que o facto de estar sempre a pensar não deixava qualquer dúvida e, por isso, comparou pensar a SER, ou seja, comparou a identidade - Eu Sou - ao pensamento. O que ele realmente tinha descoberto era a origem do ego, não a verdade fundamental, mas ele desconhecia isso.

Passaram quase trezentos anos até outro célebre filósofo ver naquela afirmação algo que tinha escapado a Descartes e a toda a gente. Esse filósofo chamava-se Jean-Paul Sartre. Sartre reflectiu intensamente sobre a afirmação de descartes, "Penso, logo existo", e subitamente apercebeu-se, citando as suas palavras, de que "A consciência que diz "existo" não é a consciência que pensa". O que pretenderia ele dizer com isto? Quando temos consciência de que estamos a pensar, essa consciência não faz parte do pensamento. É uma dimensão diferente de consciência. E é esta consciência que diz "existo". Se não houvesse mais nada dentro de nós a não ser o pensamento, nem sequer saberíamos que estávamos a pensar. Seríamos como uma pessoa que está a sonhar e não sabe. Identificar-nos-íamos com cada pensamento, como o sonhador se identifica com cada imagem do seu sonho. Ainda há muitas pessoas que vivem assim, como sonâmbulos, presas a antigos padrões de pensamento disfuncionais que recriam permanentemente a mesma realidade de pesadelo. Quando sabemos que estamos a sonhar, permancemos conscientes dentro do sonho. Entramos noutra dimensão de consciência.
...//...
Em situações limite algumas pessoas perderam todos os seus bens, outras perderam filhos cônjuges, a sua posição social, a sua reputação ou as suas capacidades físicas. Tudo aquilo com que as pessoas se identificavam, tudo o que lhes dava a noção de identidade, foi-lhes retirado. Então, repentina e inexplicavelmente, a angústia ou o grande medo que sentiram de início dá lugar a uma sensação sagrada de PRESENÇA, uma profunda paz e serenidade e uma libertação total do medo. Perguntamo-nos: "Perante este "cenário" como é possível eu sentir tal paz?".
A resposta é simples se compreendermos o que é o ego e como funciona ele. Quando as formas com as quais nos identificamos e que nos dão a nossa noção de identidade desaparecem ou nos são retiradas, isto pode conduzir à ruína do EGO, uma vez que o Ego é a identificação com a forma. Quando não resta nada com que nos possamos identificar, quem somos nós afinal? Nessa altura ganhamos consciência da nossa identidade ESSENCIAL como algo sem forma, uma PRESENÇA universal, um SER anterior a todas as formas, a todas as identificações. Entendemos que a nossa verdadeira identidade é A PRÓPRIA CONSCIÊNCIA e não as coisas com que a consciência se identificava. Esta é a paz de Deus. A derradeira verdade de quem somos não é "Eu sou isto" ou "Eu sou aquilo", mas simplesmente EU SOU. ..."

Extracto do livro: "Um Novo Mundo"
Autor: Eckhart Tolle
Editora: Pergaminho


m grande abraço

José António

 

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